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Estilo de vida
Você precisa de tanto saco plástico?

É difícil saber ao certo, mas especialistas calculam que entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas anualmente em todo o planeta. Só no Brasil, estima-se que 1,5 milhão são distribuídas por hora, em mercados, supermercados, sacolões, farmácias, lojas de alimentação etc. E ajudam a poluir e estragar o meio ambiente do mundo todo.

Para tentar ao menos diminuir esse volume enorme de lixo altamente durável (pode perdurar por 400 anos até ser totalmente absorvido pela natureza), foi criada no Rio de Janeiro uma lei que obriga estabelecimentos comerciais de médio e grande portes a substituir os sacos plásticos por sacolas reaproveitáveis dentro de um ano. As pequenas e microempresas terão até três anos para fazer o mesmo. A lei entrou em vigor na última sexta-feira, 16 de julho, e é provável que seja copiada por outros municípios em breve.

Você não precisa esperar que uma lei parecida seja aprovada onde você mora. Faça a sua parte: não aceite mais saco plástico! O site Saco é um Saco dá várias dicas nesse sentido. Leve sua própria sacola reutilizável (as chamadas ecobags) ou aproveite caixas de papelão para transportar suas compras. Se precisar mesmo utilizá-las, pelo menos procure aproveitar toda a capacidade delas, para diminuir seu número.

Os sacos plásticos são recicláveis, o problema é que perdem essa condição frequentemente por serem misturados a outros tipos de resíduos que os contaminam. Eles prejudicam a natureza desde seu nascimento: são feitos a partir de petróleo ou gás natural, dois recursos naturais não-renováveis, e precisam de água e energia em sua fabricação, que emite gases de efeito estufa.

Ao chegar à natureza, demoram 400 anos para se desfazer e, enquanto isso, sujam o meio ambiente, prejudicam o fluxo da água por serem impermeáveis, transformam-se em criadouros de mosquitos e causam a morte de animais. É comum, por exemplo, encontrar tartarugas marinhas mortas ao ingerirem sacos plásticos, que confundem com águas-vivas, seu alimento natural.

A volta da utilização de sacos de papel, como acontecia antigamente, não é solução, porque exigem a derrubada de muitas árvores e consomem muita energia e água para serem produzidos.

Fiscalização já começou

Alguns locais do Estado do Rio já começaram a ser fiscalizados, ainda no sentido de orientar proprietários e usuários, por fiscais da Coordenadoria Integrada de Combate a Crimes Ambientais (Cicca) e da Superintendência de Educação Ambiental. Serão distribuídos folhetos explicativos sobre as consequências negativas para o meio ambiente do uso de material não degradável como as sacolas plásticas. Quem optar por não usar esses sacos vai ganhar desconto nas compras. A cada grupo de cinco itens comprados, haverá abatimento de R$ 0,03 do valor total da compra. O consumidor que devolver sacolas plásticas também será beneficiado: a cada 50 unidades, o cliente ganha um quilo de arroz ou feijão.

Outros países também estão nessa luta. Na Irlanda, já em 2002, foi instituída a cobrança para utilização de sacolas plásticas, o que fez o consumo desabar 97%. Na China, o problema é do tamanho de sua população: cerca de 3 bilhões de sacolas eram consumidas por dia até 2008, ano da Olimpíada de Pequim, quando sua utilização foi simplesmente proibida. Na Austrália, houve um acordo entre varejistas e o governo, e o consumo já caiu 90%.

Outros países, apesar de sentirem os efeitos do problema, ainda não fizeram nada. Os Estados Unidos, por exemplo, jogam fora 100 bilhões de sacolas plásticas por ano. Na África do Sul, há tanta sacola espalhada pelas ruas, matas e rodovias, que ganharam o apelido de "flor nacional" - um tipo de flor que nenhum sul-africano quer ter em casa, nem cheirar. E você, quer?

Foto da homepage: divulgação/Melbourne Zoo

 
 
 

    

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