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Saúde
Idosos: hidratação é fundamental

Se a hidratação é fundamental para todos no verão, para os idosos o cuidado tem que ser redobrado. Com o mecanismo de percepção da sede prejudicado por causa da idade, eles não pedem água e correm risco maior de se desidratar. As consequências podem ser trágicas, como aconteceu entre os dias 8 e 9 de fevereiro em Santos: a temperatura chegou perto dos 40 graus e 32 pessoas entre 60 e 90 anos morreram.

Todos esses idosos já tinham doenças de base, como pressão alta, diabetes, cardiopatias e problemas renais. "O calor é um fator agravante para pessoas que já têm doenças de base", afirma o secretário de Saúde de Santos, Odilio Rodrigues Filho.

As mortes provocaram reações imediatas de associações médicas, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que listou os cuidados que devem ser tomados: beber muita água, usar calçados e roupas leves, não sair em horários de sol muito forte, evitar lugares abafados e usar sempre protetor solar.

De acordo com o endocrinologista Ivan Ferraz, é fundamental beber muita água durante o dia, principalmente os idosos, que "esquecem" de se hidratar. “Pessoas com diabetes devem tomar cuidado com sucos naturais e, principalmente, com a água de coco. Embora ela tenha um grande poder de hidratação, por conter frutose, pode alterar a glicemia. O ideal é um coco ou um copo por dia”, alerta.

Mais complicadores

Desde o ano passado, vários sites publicaram o artigo do médico Arnaldo Lichtenstein, clínico-geral do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, com o título: A Importância crucial da hidratação nos idosos. O médico afirma que, ao dar aulas para estudantes do quarto ano de Medicina, pergunta aos alunos qual a causa da confusão mental em idosos e nunca ouve a resposta certa.

"Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito), coma", afirma Lichtenstein.

De acordo com o médico, ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água, índice que cai para 70% na adolescência, 60% na fase adulta e 50% na terceira idade. "Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem", explica. Além disso, devido a certas doenças, como a artrose, alguns idosos evitam movimentar-se para ir tomar água.

A recomendação do médico: "O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos."

Outro médico, o cardiologista Maurício Wajngartan, lembra outro complicador. "Frequentemente, os idosos usam agasalho desnecessariamente com medo de friagem, de gripe. Fecham janelas, ficam em ambientes extremamente quentes e acabam, com isso, se desidratando mais ainda", adverte.

 
 
 

    

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