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Livros
Bussunda: a biografia do humorista anárquico

Cláudio Besserman Vianna não é um bom nome para humorista. Bussunda, como ficou conhecido, é mais condizente com o homem que era anárquico desde os tempos da faculdade. Lá, foi o vencedor do primeiro Concurso de Pior Aluno da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, depois de seis anos de curso sem se formar e dois semestres sem passar em nenhuma matéria.

Esse personagem único, que mescla anarquia e doçura, aparece nas páginas de Bussunda - A Vida do Casseta, biografia escrita por Guilherme Fiuza, que se tornou conhecido por outra obra, Meu Nome Não É Johnny, que virou filme. Foi com esse jeito inconfundível que Bussunda conquistou o País e comoveu o povo com sua morte precoce.

O livro é recheado de histórias saborosas e reveladoras. Um exemplo: quando a carreira dos futuros integrantes do Casseta & Planeta começou a engrenar, Claudio Manoel perguntou para Bussunda que sonho de consumo ele ia realizar primeiro se ficasse rico. "Eu quero ter 40 mil pares de sandálias Havaianas", afirmou o humorista, sem hesitar.

A resposta diz muito sobre a personalidade de Bussunda e explica por que ele se tornou uma das figuras mais amadas do Brasil, conquistando pessoas de todas as idades e classes sociais. Eleito o pior aluno da universidade, o que considerava motivo de orgulho, durante um período o comediante chegou a quase não ter dinheiro para comer e andar de ônibus. Quando o sucesso veio, ele continuou o mesmo sujeito simples e debochado de sempre.

O personagem e a trajetória dos cassetas

Além de traçar um perfil revelador de Bussunda, Guilherme Fiuza reconstitui o nascimento do Casseta & Planeta, relatando a trajetória de seus outros integrantes. Egressos dos jornais humorísticos Casseta Popular e Planeta Diário, eles se aproximaram quando foram chamados para escrever um programa que virou a televisão brasileira de cabeça para baixo: a TV Pirata.

O livro mostra quem, na Globo, os apoiou desde o início, como Boni e Daniel Filho, e quem nunca acreditou que sete homens feios e desconhecidos conseguissem emplacar seu programa (Guel Arraes e Chico Anysio). E revela como Bussunda conseguiu manter o grupo unido.

"No grupo, era quem via todos os lados da situação. Quando eles brigam, parece que o grupo está acabando. Bussunda era quem colocava a bola no chão", afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo Angélica Nascimento, viúva de Bussunda, que foi produtora dos cassetas.

Bussunda - A Vida do Casseta
Autor: Guilherme Fiuza
Editora: Objetiva
Páginas: 405
R$ 39,90

 
 
 

    

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