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Saúde
Homem: está na hora de começar a se cuidar

O Dia do Homem foi comemorado no último dia 15 e, por incrível que pareça, a discussão continua a mesma: o ser humano do sexo masculino ainda não cuida de sua saúde como deveria. Ao contrário das mulheres, que se preocupam com a saúde e sempre procuram o médico, os homens não costumam frequentar os consultórios, até por barreiras culturais.

O exame de toque retal continua sendo um dos maiores tabus relacionados à saúde masculina, apesar de o câncer na próstata ser o tipo mais comum entre os homens. A pesquisa “Saúde masculina: o homem e o câncer de próstata”, encomendada ao Datafolha pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), revelou que apenas 18% dos homens entrevistados fizeram o exame para detectar o câncer de próstata por prevenção. E mais: 77% concordam totalmente que “os homens não fazem exame de toque retal por preconceito”.

“Habitualmente, o homem procura o médico após apresentar algum sintoma que o preocupe. O grande problema é que nas fases iniciais o câncer de próstata não apresenta nenhum sintoma, e é neste momento que ele é potencialmente curável. Em contrapartida, quando o tumor se torna sintomático, na maioria das vezes já está em estágio mais avançado e as chances de cura são improváveis”, explica o médico Marcos Dall’Oglio, chefe do departamento de Uro-oncologia da SBU.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que até o final de 2010 serão registrados 52.350 novos casos de câncer de próstata no Brasil. Em valores absolutos, é o câncer mais prevalente entre homens no mundo, representando cerca de 10% do total de cânceres.

Diabetes, colesterol, pressão alta...

A saúde do homem, porém, não se reduz à próstata. Afinal, os homens vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres e não é porque têm próstata. Eles apresentam maior incidência de doenças do coração, diabetes, colesterol e pressão arterial elevada.

“Apoiamos as campanhas e iniciativas do Ministério da Saúde sobre o tema, porém a saúde do homem deve ser vista de forma integrada”, ressalta o médico Gustavo Gusso, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

O médico de família e comunidade é responsável por avaliar o indivíduo como um todo, analisar as condições de vida da pessoa, atender todas as necessidades e definir juntamente com uma equipe multiprofissional qual é o melhor plano de atendimento para ser aplicado naquele momento. “Se o cidadão tem problemas com drogas e se torna extremamente violento, o que é prioridade então? Tratar a saúde mental dele ou indicar um exame de detecção de câncer?”, questiona Gusso.

O médico apoia o programa de Política Nacional de Saúde do Homem do Ministério de Saúde, porém identifica a necessidade de ampliar o atendimento para abranger todos os problemas que envolvem o seu cotidiano. “O homem não é só próstata. Ele bebe, fuma, pode sofrer acidentes, tem diabetes, hipertensão. Boa parte dos jovens entre 18 e 40 anos já teve problemas com álcool e isso pode gerar problemas maiores, como acidentes de trânsito e violência física”, adverte.

 
 
 

    

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