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Divirta-se
Blitz: violência urbana traduzida em silêncios

A violência urbana e seus reflexos em nossas vidas, traduzida em silêncios que dizem muito. Assim é Blitz, peça que marca o retorno de um texto de Bosco Brasil aos palcos paulistanos e está em curta temporada no Centro Cultural São Paulo, após tornar-se sucesso de crítica e público no Rio de Janeiro.

O projeto da montagem de Blitz surgiu da vontade da atriz Janaína Ávila de trabalhar novamente com o autor. Os dois vinham de parceria de sucesso em "Cheiro de Chuva" (2008), espetáculo que recebeu várias indicações aos prêmios Shell, APTR e Qualidade Brasil, além de ficar em quinto lugar na votação on line do Guia da Folha.

Bosco Brasil, que estava com a novela Tempos Modernos em cartaz na Rede Globo até o início de julho, é um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. O autor recebeu os prêmios Shell e APCA de melhor autor em 2002 por “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”, espetáculo estrelado por Tony Ramos e Dan Stulbach. E teve outras duas indicações ao Shell por "O Acidente" (2000) e “Cheiro de Chuva” (2007).

O espetáculo, dirigido por Ivan Sugahara, tem no elenco Marcello Escorel, que realiza pela terceira vez uma incursão em um texto de Bosco Brasil. O ator, que por sua atuação em “Cheiro de Chuva” foi indicado ao prêmio Shell, contracena com Janaína Ávila, atriz paulistana com passagem pelo CPT de Antunes Filho e também responsável pela produção da peça.

Separação de casal em alta tensão

Blitz trata de temas delicados como a violência e o medo, além da influência da sociedade em nossas vidas particulares. A peça traz o conflito de dois personagens: Cabo Rosinha (Marcello Escorel) e sua esposa, Helô do Pãozinho (Janaína Ávila). O primeiro é acusado de ter matado um menino em uma blitz realizada em uma escola pública. A segunda, pressionada pela opinião pública, resolve abandonar o marido, com medo daquele a quem ama. O espetáculo traz a discussão final do casal, no momento em que Helô revela ao policial que o deixará. A platéia, então, testemunha o desenrolar de um drama vivido por eles todos os dias.

O texto de Blitz segue o estilo já característico e premiado do autor: formato curto e diálogos elaborados de forma a prender a atenção do espectador. Em ritmo acelerado, os segredos e medos dos personagens são revelados e a platéia é levada a tornar-se cúmplice do policial que acabara de julgar.

Segundo Sugahara, uma das grandes preocupações foi não cair no óbvio e nos clichês de dramas. “Trabalhei o texto para mostrar a repercussão da violência na vida do casal em sua vida cotidiana, revelando a sensação de isolamento. Desde o início, nossa preocupação foi fugir da linguagem dramática. Cenário, figurino e trilha sonora foram pensados voltados para a linguagem lúdica e metafórica”, diz o diretor.

Blitz
Centro Cultural São Paulo – Sala Paulo Emilio
Endereço: R. Vergueiro, 1.000
Telefone: (11) 3397-4002
Horários: sex. e sáb. às 21h, e dom. às 20
Ingresso: R$ 20
Classificação etária: 12 anos
Até 15 de agosto

 
 
 

    

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